Um Conto de Inverno Proletariado
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Julian Radlmaier
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Ein proletarisches Wintermärchen
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2014
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Alemanha
Crítica
Leitores
Onde Assistir
Sinopse
Em Um Conto de Inverno Proletariado, três jovens georgianos precisam limpar um castelo em Berlim, onde uma coleção de arte contemporânea de um fabricante de armas está montada para uma exposição. Evidentemente, eles não são bem-vindos na festa de abertura e acabam exilados em uma pequena sala dos servos no sótão, onde começam a ter ideias revolucionárias. Comédia/Drama.
Crítica
O embate entre classes é o mote de Um conto de inverno proletariado, produção alemã dirigida por Julian Radlmaier. Fazendo de um castelo alemão o microcosmos de sua história, e colocando três jovens georgianos como empregados da limpeza, sonhando com revolução enquanto bolam planos para roubar um pedaço de bolo, o cineasta faz uma fábula divertida e por vezes ingênua do sistema de classes daquele país – e da Europa como um todo.
A trama é simples. Três georgianos (Natia Bakhtadze, Sandro Koberidze e Ilia Korkashvili) estão com problemas financeiros e resolvem trabalhar na limpeza de um castelo em Berlim. Chegando lá, a preguiça reina. Ninguém quer trabalhar muito, com exceção de um dos amigos, que entende que aquele emprego é importante. Com um patrão esquentadinho e sempre gritando ordens, o trio está longe de estar feliz com a empreitada. Chegando a noite, hora do grande jantar no casarão, o trio é afastado dos salões principais, tendo de ficar presos em um quartinho enquanto a festa não termina. Desgostosos com a situação, eles começam a bolar planos para roubar comida do evento, lembrando histórias antigas que – apesar dos comentários – têm muito a ver com a sua situação.
Além de buscar esta crítica social bem humorada, Radlmaier trabalha uma trama surrealista, que apresenta buracos negros em cima de escadas; nuvens rebeldes que não permanecem fora do castelo; e a própria direção de arte do local, com arte contemporânea misturada ao clássico, também serve para nos levar a um lugar, no mínimo, diferente.
Radlmaier é feliz em colocar a batalha de classes não só entre ricos e proletários, mas dentro do universo dos próprios serviçais. Se o dono do castelo não quer ver empregados perambulando pelos aposentos, o gerente destes subalternos pensa o mesmo. Mas ele, assim como o trio de georgianos, é um reles empregado. E é visto com o mesmo descaso pelo seu chefe. É um retrato curioso, mostrando muito bem o que um pouco de poder pode fazer com uma pessoa.
As histórias imaginadas pelo trio são inusitadas e brincam com a mistura anacrônica de figurinos e direção de arte. Mas o real predicado do filme está na interação entre os três amigos e seus planos ingênuos de tomar a comida do local. Não existe consenso entre eles, ainda que todos tentem fazer o melhor para o grupo, à sua maneira.
Com humor esquisito e boas performances, Um conto de inverno proletariado não deve mudar o mundo, mas tem um clima tão divertido e uma atmosfera tão farsesca que é impossível não ser conquistado pela trama. Como o filme é curto, tem apenas 63 minutos, pode acontecer de você estar começando a curtir a história e ela terminar de súbito. Não muito diferente de quão rápido terminam os ordenados de milhares de proletários deste mundo.
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