Adeus Berthe: O Enterro da Vovó
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Bruno Podalydès
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Adieu Berthe: L'Enterrement de Mémé
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2012
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França
Crítica
Leitores
Onde Assistir
Sinopse
Em Adeus Berthe, vovó morreu. Berthe não existe mais. Armand tinha esquecido “um pouco” a sua avó… Farmacêutico, ele trabalha com a esposa, Hélène, em Chatou, subúrbio de Paris. Numa gaveta de remédios, Armand esconde acessórios de magia, pois ele prepara, em segredo, uma mágica para o aniversário da filha… de sua amante Alix. E a vovó nisso tudo? Será enterrada ou cremada? Afinal, quem era Berthe? Comédia/Drama.
Crítica
A nova comédia francesa de Bruno Podalydès poderia ser descrita como um introspectivo longa humorístico de costumes. Seu teor cômico passa longe das estruturas satíricas arrojadas, do texto histriônico, da interpretação caricata e da encenação farsesca. Não se trata aqui da representação de situações escrachadas. Au contraire.
Adeus Berthe: O Enterro da Vovó tem no cotidiano trivial de uma família comum seu foco principal. Centra-se na vidinha ordinária de um homem pacato dominado por três mulheres controladoras. Armand (Denis Podalydès), um farmacêutico afeito a pequenos truques mágicos, está em processo de separação da mulher Hélène (Isabelle Candelier) ao mesmo em tempo que leva adiante seu relacionamento com a amante Alix (Valérie Lemercier, excelente em seu papel). Entre eles, uma intensa troca de SMS dá agilidade e graça às cenas.
Ao saber da morte de sua avó, com quem não convivia há anos, Armand precisa cuidar dos detalhes do funeral, tendo também que lidar com a sogra Suzanne (Catherine Hiegel), que decide se meter nas negociações. As tratativas envolvem ainda Charles (Michel Vuillermoz), o esnobe dono de uma funerária muitíssimo interessado por Hélène e disposto a anular ainda mais a personalidade do protagonista.
Variando entre visões de mundo existencialistas de grau não muito elevado e boas percepções contemporâneas do núcleo familiar, o humor leve proposto pelo roteiro de Bruno e Denis destaca-se justamente por não tornar a trama uma vertiginosa comédia ensandecida. Em certo ponto, o filme passa a girar em torno do passado romântico de Berthe, a mémé de Armand, e sobre como esse momento pretérito pode elucidar o complicado presente do neto.
Perdido em um jogo de empurra-e-puxa, Armand decide aplicar em sua vida um dos mais famosos truques do ilusionismo: o escape. A saída pelos fundos amplia ainda mais a sensação de ausência do personagem, fato que ajuda a definir de forma irremediável a aura esmaecida de uma comédia de risos contidos provocados pelo estranhamento.
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