Aladim e a Lâmpada Maravilhosa

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Sinopse

Em Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, um homem ganha a vida vendendo um elixir mágico com a ajuda de dois amigos. Um dia, porém, bandidos roubam um anel seu, pois dizem ser mágico e capaz de controlar uma lâmpada com um gênio dentro. Ele acaba encontrando a tal lâmpada antes dos malfeitores e usando seus desejos concedidos pelo gênio para arrumar a própria vida e sair dessa confusão. Comédia/Aventura.

Crítica

Depois do sucesso de Ali Babá e os Quarenta Ladrões (1972), Renato Aragão e Dedé Santana decidiram seguir o mesmo modelo e realizar uma nova adaptação de um conto extraído de As Mil e Uma Noites. A história escolhida foi a de Aladim, personagem que nesta paródia é transformado em um simpático malandro que ganha a vida produzindo e vendendo um falso elixir milagroso com a ajuda do amigo Draculim (Dedé Santana) e sua irmã Marina (Monique Lafond, uma das grandes musas do cinema nacional nas décadas de 70/80 e que também estrelou outros longas da trupe humorística). O caminho dos três acaba cruzando o de bandidos à procura de uma lâmpada mágica, que para funcionar precisa ser combinada aos poderes de um anel que Aladim recebeu de seu falecido pai.

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Acidentalmente, Aladim acaba encontrando a lâmpada e despertando o gênio que nela vive, mas o objeto fantástico logo é roubado pelos bandidos, que ainda sequestram Marina e Fred, o irmão cego de Aladim. Trabalhando pela segunda vez com Aragão, a quem já havia dirigido em uma empreitada solo, Adorável Trapalhão (1967), o cineasta J.B. Tanko começa aqui a moldar a fórmula de uma parceria que renderia outros nove filmes nos anos seguintes. Estão presentes as lutas coreografadas com toques de humor pastelão, as longas perseguições cartunescas, a paixão não correspondida do personagem de Didi pela mocinha e quase todos os outros elementos que consagraram as produções do grupo.

Tanko manipula esta gama de ingredientes com bastante segurança, conseguindo até mesmo conceber algumas sequências mais criativas e elaboradas visualmente, como aquela em que Aladim observa Marina através de um funil e que termina com um sonho romântico do personagem. O diretor insere também pequenos momentos de um humor menos infantil do que o de costume – a cena de Monique Lafond seduzindo um dos bandidos, por exemplo – e encena as passagens mais aventurescas com um resultado bastante divertido. Todo o desenrolar das três provas que Aladim e Draculim precisam cumprir para recuperar a lâmpada, com direito a Didi enfrentando um grupo de esgrimistas, comprova esta capacidade do diretor.

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No geral, as piadas seguem o padrão esperado dos humoristas, apostando na leveza, nas tiradas de Didi e nas gags físicas, como nas primeiras demonstrações dos poderes do gênio – fazendo até mesmo a Kombi de Draculim levantar vôo, tal qual o tapete mágico da história original -, na fuga da cadeia e especialmente na cena que envolve o lírio vermelho mágico capaz de paralisar as pessoas. Renato Aragão e Dedé Santana apresentam a sintonia habitual, enquanto o resto do elenco mostra algumas irregularidades. Lafond como Marina, Francisco Dantas como Dr. Mário, Jorge Cherques como o Comissário e o ótimo Lutero Luiz no papel de Jamal (o principal vilão) merecem destaque positivo. Já Navarro Puppin como Fred, o irmão cego, e Adalberto Silva, o gênio, não conseguem manter o mesmo nível de atuação.

O filme também apresenta alguns problemas técnicos típicos de boa parte das produções brasileiras da década de 70, como defeitos de som na transição de um número razoável de cenas e uma edição por vezes truncada, fator que atrapalha o ritmo da narrativa. Já a trama, com direito à costumeira reviravolta final referente ao destino de Didi, possui certas fragilidades difíceis de serem ignoradas, mesmo tendo como parâmetro o universo cinematográfico dos Trapalhões, como na própria sequência já citada do lírio paralisador, em que o roteiro estabelece uma regra envolvendo seus poderes especiais para, segundos depois, fazer com que os protagonistas a ignorem completamente.

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Dedicado ao ator e cineasta Aurélio Teixeira, que dirigiu o primeiro longa estrelado pela dupla Didi e Dedé, a comédia musical Na Onda do Iê Iê Iê (1966), Aladim e a Lâmpada Maravilhosa talvez não figure entre os títulos mais brilhantes da obra de Aragão e companhia, mas cumpre bem a sua missão de divertir os fãs e arrancar risos genuínos sem precisar fazer muito esforço.

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é formado em Publicidade e Propaganda pelo Mackenzie – SP. Escreve sobre cinema no blog Olhares em Película (olharesempelicula.wordpress.com) e para o site Cult Cultura (cultcultura.com.br).
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