Gigante

Crítica


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Onde Assistir

Sinopse

Em Gigante, Jara é um tímido segurança de supermercado, que descobre Julia pelas câmeras de vigilância. Ela trabalha como faxineira no local e passa a ser acompanhada por Jara. Apaixonado por ela, o segurança passa a conduzir sua vida em torno da rotina de Julia e seu desejo em conhecê-la. Drama.

Crítica

Uma das maiores surpresas do último Festival de Gramado – e também do mais recente Festival de Berlim, pelo que se publicou a respeito – foi uma produção vinda de um país de pouca tradição cinematográfica. Gigante, do nosso vizinho Uruguai, é uma obra madura e universal, que se comunica perfeitamente com qualquer tipo de espectador, não importando quem ele é ou de onde vem. E, assim como o peruano A Teta Assustada (2009) – que nestes dois eventos acabou levando os prêmios principais, apesar de dividir igualmente as atenções do público e da crítica – longa com o qual guarda muitas semelhanças, é um projeto humilde e de poucas ambições, que conquista quem o assiste justamente por esta aparente simplicidade. Característica que termina por se revelar muito mais grandiosa do que qualquer suspeita inicial poderia indicar.

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Escrito e dirigido pelo jovem Adrian Biniez, que antes disso havia feito apenas dois curtas-metragens, Gigante não revela a inexperiência do seu realizador e, muito pelo contrário, aponta para uma visão muito concisa e delicada de mundo. A história é bastante direta, sem grandes reviravoltas: o protagonista – o tal ‘gigante’ do título – é um segurança de supermercado que se apaixona, à distância, por uma colega de trabalho, e tem dificuldades em revelar esse novo sentimento a ela. Ele passa as noites observando através de monitores os demais funcionários do local. Tudo é sempre igual e monótono, até que percebe uma nova moça da limpeza. Aos poucos tenta se aproximar dela, sem muito sucesso. A acompanha de longe, descobrindo hábitos, gostos e particularidades. Ambos compartilham interesses, e não vivem em universos muito distantes. O que falta para se cruzarem? Talvez só um pouco de iniciativa. Ou mero acaso.

Gigante ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim, além de dois prêmios especiais (inclusive um para diretores estreantes). Já na mostra latina da serra gaúcha foram mais 3 reconhecimentos: Melhor Filme segundo a Crítica, Ator e Roteiro. Kikitos merecidos, que apontam para o que o longa tem mesmo de melhor: uma história envolvente e sensível e um intérprete à altura do desafio que lhe é proposto. Horacio Camandule havia atuado apenas em teatro e em um único curta (o anterior do próprio Biniez), mas, assim como o diretor, demonstra uma segurança total de sua presença que, inevitavelmente, domina a tela, ao mesmo tempo em que se revela pequena diante de emoções tão comuns a todos nós, como amor, timidez, medo da rejeição e felicidade em pequenas conquistas. Um homem tão grande quanto qualquer um disposto a viver plenamente.

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Na última década o cinema uruguaio tem entregue ao cinéfilo mais curioso verdadeiras pérolas. Gigante tem potencial suficiente para ficar ao lado de obras como Whisky (2004), Coração de Fogo (2002) e 25 Watts (2001), por exemplo. É um exemplar digno e honroso de um fazer cinematográfico discreto e bastante humano, que não pretende reinventar a ordem das coisas, mas que inevitavelmente arrebata com sua sinceridade e pela forma honesta e madura com que discorre sobre assuntos íntimos e próprios de cada um de nós. Por mais óbvio e clichê que possa soar, o certo é afirmar que este filme não é imenso apenas no título, mas sim em cada uma de suas intenções e, principalmente, nos feitos e impressões que provoca naqueles do lado de cá da tela grande.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

Grade crítica

CríticoNota
Robledo Milani
9
Alysson Oliveira
7
MÉDIA
8

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