Onde Assistir
Sinopse
The Blind é o retrato de um relacionamento falido, mas que segue em frente. Marcus, um arquiteto fracassado, desconta sua frustração em Kate, sua jovem namorada, transformando o que deveria ser algo romântico em um filme de terror da vida cotidiana. Drama.
Crítica
Os créditos iniciais de The Blind, primeiro filme de Nathan Silver, já chamam a atenção por emular o estilo dos clássicos longas-metragens do passado. Quando a cena se abre, temos uma tomada geral de Massachusetts, onde se passa a história, enquanto ouvimos uma narração, com voz empostada, falando sobre amor. Logo depois, conhecemos o casal Kate e Marcus, os protagonistas. O que parecia ser o início de um drama romântico sobre um jovem casal recém-chegado em uma nova cidade se mostra, a cada novo minuto, um conto de terror sobre um relacionamento que simplesmente não evolui.
Divido em três atos, o filme tem roteiro de Silver e Ben Bostick e conta a história deste jovem casal. Marcus (Jonas Ball) é um arquiteto fracassado, que tem sérios problemas de comunicação, seja com a mãe, que liga constantemente, seja com sua namorada, Kate (Josette Barchilon), com quem troca pouquíssimas palavras. As frustrações daquele homem perante seu trabalho parecem atrapalhar a vida privada do casal. Kate, por sua vez, cuida da casa e pensa em voltar a estudar, mas sem muito entusiasmo. Seu papel parece ser cuidar do seu homem. Algo muda quando ela conhece o vizinho da frente, o idoso Herman (George Riddle), ao entregar a cópia da chave de sua casa para uma eventualidade. E nem sempre as mudanças vêm para bem.
O estilo de filme realizado por Nathan Silver em The Blind poderia ser chamado de cinema do desconforto. Tanto para os personagens quanto para o espectador. Kate, por exemplo, tem uma forma de se locomover muito contida, como se ela nunca estivesse realmente confortável em momento algum, como se qualquer movimento mais largo pudesse parti-la em pedaços. Já Marcus está constantemente tenso. Até mesmo quando tenta ser amoroso, ao beijar sua namorada no pescoço, o movimento que ele empreende até ela é duro, teso. Existe uma pressão em cima dele pelo sucesso, pressão esta talvez autoimposta. Com um funcionário verborrágico ao seu lado, e que tem em sua total falta de iniciativa uma das suas piores qualidades, Marcus se encontra em processo de desmoronamento.
Sem saber direito o que quer, Marcus joga com Kate da forma como bem entende, a mandando para fora de casa e chamando-a de volta logo depois. Em meio a este ioiô emotivo, Kate passa a cuidar do vizinho idoso e começa a se distanciar ainda mais do namorado.
Nathan Silver é bastante preciso ao contar sua história, construindo uma atmosfera claustrofóbica e insuportável. Ao apontar sua câmera para um casal disfuncional, ele amplia a temática e constrói um universo de dependência, carência e incomunicabilidade. Não existe a possibilidade de um final feliz e, como todo filme de terror que se preze (e é impossível não vê-lo como tal), The Blind deixa o seu vilão muito vivo no desfecho. E esta figura malévola não é um personagem, mas toda aquela situação.
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