Partidas são apresentadas. Com um nítido propósito político, o curta de Emiliano Cunha convida a uma reflexão a respeito do entendimento que envolve o afastamento psicológico entre as pessoas. Metaforizando com chegadas e despedidas, mergulhos em rios profundos e jornadas noite adentro por lugares aparentemente perdidos ou escolhidos a esmo, a obra busca retratar uma sociedade em crise, indagando a respeito dos possíveis rumos desse conjunto em constante mutação, seja um país, uma cidade ou até mesmo um único indivíduo. A realidade paralela pode parecer sem sentido num primeiro momento, mas é chegado o momento de ir além dos questionamentos mais óbvios quando cada um, sozinho dentro de si, não mais se entende como parte da engrenagem. Emiliano não e único na construção deste cenário, e um elenco numeroso e coeso – do qual se destacam nomes como Ismael Caneppele, Liane Venturella, Mateus Almada e José Henrique Ligabue, entre outros – colaboram de forma decisiva neste processo que encontrará contrapartida justamente no repertório de referências do espectador. Planos-sequência ganham aqui novos significados, e a montagem de Bruno Carboni assume posição de protagonista, ligando cada um destes personagens a um processo de transformação contínuo, no qual a única constante está do lado de cá da tela. E é justamente esta a sua maior beleza.
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