Estreia prevista para 19/04/2018
É uma inverdade que o cinema brasileiro não produz filmes de horror. Nomes como Rodrigo Aragão e Petter Baiestorf, por exemplo, mantém viva e pulsante a produção tupiniquim de gênero, inclusiva a exportando para países que consomem vorazmente nossas obras macabras desde Coffin Joe (como é internacionalmente conhecido o querido Zé do Caixão). Todavia, são longas e curtas-metragens que acabam não chegando ao grande público e que, muitas vezes, sequer frequentam festivais, fora os de nicho. Para ajudar a preencher essa lacuna, chega em 2018 As Boas Maneiras, de Marco Dutra e Juliana Rojas. Aliás, essa dupla de cineastas vem demonstrando apreço pelo cinema de gênero. Basta lembrar que Trabalhar Cansa (2011), debute de ambos na direção de longas, tinha fortes temperos terríficos; que Quando eu Era Vivo (2014), de Marco, é horror em estado puro; e que Sinfonia da Necrópole (2014), de Juliana, é um musical feito onde os mortos descansam. As Boas Maneiras, contudo, é o filme deles mais ambicioso na filiação estrita com o horror. O começo mostra a interação repleta de estranhezas entre Ana (Marjorie Estiano) e sua nova empregada, Clara (Isabél Zuaa). A primeira está grávida e é dada a perambular de madrugada com atitudes, no mínimo, suspeitas. Ela dá a luz a um pequeno lobisomem – isso mesmo, e muito bem feito, méritos ora da computação gráfica, ora da maquiagem – criado pela doméstica que lhe demonstra piedade. Uma beleza de filme, desde já uma das apostas certeiras de 2018 no âmbito do cinema nacional.
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