“O título do excelente curta-metragem de Camila Kater não é gratuitamente alusivo à forma pejorativa como muitas vezes as mulheres são encaradas em sociedade. Isso, pois a cineasta se apropria com brios dessa deturpação naturalizada para levantar questionamentos absolutamente pertinentes e urgentes quanto à objetificação dos corpos femininos. Valendo-se de cinco depoentes que quase nunca aparecem em cena, ela constrói segmentos animados com técnicas distintas, sempre buscando atrelar o conteúdo e, por conseguinte, as características físicas de cada personagem instada a compartilhar dados concernentes à fisicalidade, às distorções dos olhares externos. Os dizeres apontam a uma opressão cuja fonte é a miríade de expectativas e preceitos tacanhos dessa nossa coletividade doente, ainda desproporcionalmente construída em torno da ideia de uma masculinidade dominante. Se trata de um manifesto criativo e forte de reconhecimento e consciência (…) Carne é um curta-metragem sucinto e incisivo, múltiplo imageticamente, mas focado na costura dos depoimentos para consolidar o feminino enquanto entidade. A despeito das idiossincrasias de cada história, Camila sinaliza os nós que as dispõem como mais ou menos comuns a todas”.
:: Confira na íntegra a crítica de Marcelo Müller ::
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