
Crítica
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Sinopse
Em Na Sua Pele: A Série Marked Man, Shaw Landon é a típica garota vinda de uma família rica que está se graduando em medicina. Rule Archer, por outro lado, é o arquétipo do bad boy, um tatuador rebelde, mulherengo e de espírito livre que vive uma vida caótica. O destino de ambos se cruzará. Romance.
Crítica
Na Sua Pele: A Série Marked Men é mais um filme “romântico” sobre mulheres atraídas por homens emocional e psicologicamente instáveis com tendências violentas. Curiosamente, quase todos os exemplares desse filão são baseados em livros que fizeram sucesso, os chamados best-sellers. Portanto, a tendência não é apenas cinematográfica, mas também literária. Outra coisa comum nos filmes dessa laia é a garota dividida entre dois homens – geralmente um é do estilo “bad boy sensível” e o outro faz mais a linha “padrão sensível”. Nesta trama inspirada no livro Rule, de Jay Crownove, Shaw (Sydney Taylor) é a típica garota “gente boa” que segura a onda dos amigos, a princesinha de um conto de fadas no qual o príncipe é um homem assombrado pela culpa. Este é Rule (Chase Stokes), o tatuador garanhão que faz as clientes caírem de amores e pernoitarem em sua cama. Porém, o roteiro assinado por Sharon Soboil tenta enxerga-lo como alguém que encontra no sexo uma válvula de escape para o seu sofrimento. Chase Stokes não consegue expressar essa suposta complexidade, sempre recorrendo às mesmas feições e gestos para demonstrar que está desconfortável. Shaw era a melhor amiga do irmão gêmeo de Rule e funciona como uma espécie de fada madrinha pouco erotizada, ou seja, a última opção no horizonte do homem que o filme nos vende como um macho alfa que esconde sua sensibilidade.
O longa-metragem é dirigido por Nick Cassavetes. filho do ator e cineasta John Cassavetes e da atriz Gena Rowlands. Ele nunca chegou perto do espaço que seus pais ocuparam (e continuam ocupando) na história do cinema. Mas, sejamos francos, também nunca foi um desastre. Nick dirigiu Um Ato de Coragem (2002), Diário de uma Paixão (2004) e Alpha Dog (2006), nenhum deles memorável, mas também longe do abismo no qual ele nos arremessa dessa vez. Há um grave problema de concepção nesse mundo repleto de pessoas lindas que transitam por lugares completamente sem personalidade e identidade. Por exemplo, Rule frequenta uma “espelunca” com seus colegas tatuadores, mas esse espaço perderia no quesito insalubridade para alguns bares muito bem frequentados da maioria das capitais brasileiras. Nick insiste na ideia de que a casa noturna é um muquifo, tanto que faz Rule dizer a Shaw “esse não é um lugar para alguém como você”. Mesmo com toda a sua experiência, o cineasta se esquece de mostrar que o local é de baixo nível, perigoso, contraindicado para “moças de família”. Seguindo por esse caminho, identificamos uma espécie de rebeldia gourmet, com jovens pseudo-transgressores pichando lugares ermos como se estivessem demonstrando indignação contra o mundo. É difícil compreender todo esse circuito undergroud como algo genuíno, pois ele é falso e pouco crível.
Além de ser incomodamente previsível, Na Sua Pele: A Série Marked Men promove mudanças substanciais de uma hora para outra, como se para ultrapassar um obstáculo emocional enorme fosse apenas preciso um colo amigo e meia dúzia de palavras de apoio. Rule é o rapaz fraturado da vez, aquele que precisa de uma mulher capaz de o reabilitar. Seguindo assim outra tendência bizarra das histórias protagonizadas por mulheres levadas a romantizar certos comportamentos inadequados de seus pretendentes, Shaw está disposta a tudo se conseguir finalmente ficar mais tempo com o seu amado. Incluindo aí não cobrar fidelidade dele e, mesmo sendo mais nova, desempenhar a função de elo maduro de uma relação complicada. Depois que ambos finalmente vencem as barreiras iniciais e vão para cama, o filme abraça a idealização romântica como princípio narrativo inalienável, ao ponto de qualquer coisa ser completamente subordinada ao namoro – que não pode ser chamado dessa maneira para não assustar o “príncipe”. Rule quebra uma promessa para ir ao Natal com Shaw, uma tragédia acontece e os pombinhos brigam. Muito mais do que adicionar uma camada de sofrimento a esse homem já bastante culpado, o infortúnio serve para os protagonistas entrarem em crise. Mais adiante, a cena de um enterro segue essa toada. A morte e as suas citadas consequências pouco importam.
Na Sua Pele: A Série Marked Men faz malabarismo com vários elementos moralistas enquanto pretensamente está construindo uma ode ao romantismo inocente. Um deles é o sexo. A intensa atividade carnal de Rule como rapaz solteiro está necessariamente associada a algo negativo, mais precisamente à tentativa de criar uma válvula de escape hedonista para conseguir lidar com o trauma pela morte do irmão. Já quando ele e Shaw começam a transar, as coisas mudam totalmente de figura. Desse modo, o sexo é apenas positivo quando faz parte de uma relação monogâmica com certa estabilidade. Moralista é pouco. Aproveitando, são longos e quase insuportáveis os momentos de intimidade do casal, sobretudo pela infantilização impressa por Nick Cassavetes em episódios como o do homem de quatro, com chapéu de coelho, levando um tapa na bunda. As demais interações eróticas desses mocinhos românticos açucarados são também desprovidas de tesão, pois ganham uma dimensão fofinha que transforma tudo em brincadeira. Essa devoção pelos apaixonados é tão grande que o roteiro “passa pano” para eles, como quando Shaw é emocionalmente irresponsável com seu outro pretendente – como Rule é o protagonista, pouco importa se um coadjuvante descartável tem sentimentos. Morte, culpa, brigas familiares, dúvidas e contradições? Que nada. Tudo desaparece quando o Romeu bad boy de butique se encontra com a Julieta pouco convincente até como a boazinha donzela dividida.
Grade crítica
Crítico | Nota |
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Marcelo Müller | 2 |
Alysson Oliveira | 1 |
Carlos Helí de Almeida | 3 |
MÉDIA | 2 |
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